quarta-feira, 28 de outubro de 2009


"Jazz Time" by Chidi Okoye

O que é Giclée?

Sônia Menna Barreto

Giclée é uma palavra francesa usada nos EUA para nomear o processo de microjato de tinta, a uma determinada pressão, usado na impressão desta nova geração de gravuras. É feita na máquina "Giclée Printer", que jateia aproximadamente 4 milhões de microscópicos pingos de tinta por segundo, em papel ( 100% algodão, 220 g ) ou tela. Podem ser usadas até 16 milhões de cores numa só giclée.

Esta tecnologia é considerada o que há de mais sofisticado em termos de impressão para artes gráficas. Todo o material, incluindo tintas pigmentadas específicas, é importado. Tanto a tela como o papel ( 220 g ) são procedentes da Alemanha e são preparados para receber tintas de alta duração ( marca Epson, importadas dos EUA ).

As giclées em papel são entregues com um passe-par-tout de papel ( marca Crescent - PH neutro, também americano). As em tela já vem montadas num chassis.

A partir de um cromo ( 10 x 12 cm ) do quadro original, é criado um arquivo digital de altíssima resolução. A artista passa, então, a trabalhar junto com a editora na correção e ajuste de cores e após a aprovação da matriz, a gravura é impressa individualmente sobre um suporte de tela ou papel permitindo que a qualidade da obra original seja totalmente preservada.

As edições são limitadas, numeradas e assinadas pela artista, sendo emitidos certificados de autenticidade, garantindo a origem da obra. A sua durabilidade é superior a 150 anos , desde que observadas as normas de conservação : nunca expor diretamente ao sol, a água ou umidade excessiva. As giclées em tela já possuem uma camada de verniz protetor, não necessitando qualquer adição de uma outra. Para limpar a tela, passar somente um pano livre de fiapos, macio e seco.

fonte:http://www.casadacultura.org/arte/Artigos_o_que_e_arte_definicoes/gr01/oqueeh_giclee_sm_barreto.html

domingo, 20 de setembro de 2009

Anselm Kiefer




Nascido em 8 de março de 1945, Donaueschingen, Germany,Anselm Kiefer, pintor alemão que se tornou uma das figuras mais proeminentes no movimento da arte neo-expressionista do final do século 20.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Goya




A PINTURA DE GOYA
BIOGRAFIA
Vida
Pintor espanhol, Francisco José de Goya y Lucientes, nasceu em Fuentetoros, Saragoça, em 1746 e morreu em Bordéus, França, em 1828. Filho de modesto dourador, Goya tentou, sem sucesso, obter uma bolsa na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madri. Em 1774 conseguiu, por influência do seu cunhado, o pintor Francisco Bayeu, a encomenda de uma série de 63 cartões de tapeçaria para a manufatura real, em Madri. Logo se fez célebre, entrando para a Academia de San Fernando e tornando-se o primeiro pintor da corte a partir de 1799. Em 1792 uma enfermidade o tornou surdo para o resto da vida. Em 1808 José Bonaparte ocupou o trono espanhol. Goya continuou no cargo, mas freqüentando pouco a corte dos "afrancesados", servidores do novo monarca.
Em 1814 deu-se a restauração do trono com Fernando VII, que confirmou Goya no cargo junto à corte. O despotismo de Fernando VII restaurou o tribunal da Inquisição que submeteu Goya a interrogatório por causa da "Maja Desnuda" ("A moça despida"). A partir de 1820 o artista se isolou na Quinta del Sordo. Em 1824, alegando razões de saúde, instalou-se em Bordéus. Ainda retornou uma vez à Espanha em 1826, para retirar-se de vez, vivendo os seus últimos anos em Bordéus, na companhia de Leocadia Weiss, permanecendo extraordinariamente ativo em sua arte.
Obra
Goya é um dos três maiores mestres da pintura espanhola, juntamente com El Greco e Velazques. Dos três foi, sem dúvida, o caráter mais desconcertante, o mais rico de contradições. Pintor e gravador, foi o artista eurupeu mais importante de seu tempo e aquele que exerceu maior influência na evolução posterior da pintura, já que suas últimas obras são consideradas precursoras do impressionismo.
Pintura
Goya começou sua carreira como pintor religioso nos afrescos para Nuestra Señora del Pilar e a capela da Casa de Sobradiel, em Saragoça. Mas, apesar da técnica vigorosa demonstrada, esses afrescos não chegaram a ultrapassar os limites convencionais do gênero. O primeiro estilo de Goya está nos seus quadros "de gênero", que incluem a série de cartões de tapeçarias iniciada em 1775 ( os cartões estão do Museu do Prado e as tapeçarias no Escorial). Vários deles aproximam-se dos mestres franceses da época.
Mas o grande estilo realista de Goya só aparece nas composições posteriores a 1792, entre as quais se pode citar "El Manicomio", "El Tribunal de la Inquisición" "Procesión de flagelantes" e sobretudo "El Entierro de la sardina" (todos na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madri). Nesses quadros Goya pretendeu fazer observações "em que a invenção e a fantasia não têm finalidade", o que era impossível, assegurava, nas peças encomendadas. Esses quadros, cujo realismo sombrio se limita com o fantástico, são a primeira afirmação do gênio soturno de Goya.
Também dificilmente podem ser classificados de "realistas" os inúmeros retratos de Goya, inclusive os seus famosos auto-retratos. Muitas dessas obras se aproximam de uma caricatura cruel dos retratados. O quadro "Carlos IV y su familia" só merece ser chamado de "realista" noutro sentido: o grotesco e o caricatural das figuras, sobretudo a infanta Maria Josefa, indicam intenções para além das aparências. O realismo de Goya é psicológico e social em um primeiro nível, caminhando para a indagação da natureza humana em toda a sua profundidade. Também suas majas (moças), "Maja desnuda" e "Maja vestida" ultrapassam o puro realismo erótico. A crueza agressiva da "Maja desnuda" distancia o nu de Goya da "Venus" idealizada dos pintores italianos.
Com a restauração do poder de Fernando VII, Goya pintou os quadros históricos "Dos de mayo" e "Tres de mayo" retratando episódios da guerra. O "Tres de mayo", que representa os fuzilamentos de patriotas espanhóis pelas tropas francesas, é julgado a sua obra-prima de composição pictórica, tão avançada que se fez modelo de um quadro famoso de Manet. São do último período da vida de Goya as suas pinturas mais impressionantes, quadros compostos em sua casa de campo, a Quinta del Sordo. Obras como "Sábado de brujas". "El Coloso" e "Saturno" representam o ponto-limite da visão sombria de Goya. "Saturno" é um símbolo cruel de um poder devorador, que mostra a evolução do pintor para uma visão trágica da condição humana.
Gravura
Goya é tão grande gravador como pintor. Na pintura, sua arte evoluiu para um ensombrecimento gradativo das cores, até o horror cinzento do "Saturno", onde só o sangue se destaca da massa informe. A primeira série de gravuras, os Caprichos, representam bem a dualidade do espírito de Goya. Distinguem-se nos Caprichos, em que Goya empregou a técnica de gravura em água-forte, dois conjuntos bem caracterizados: o primeiro é a sátira dos costumes e vícios sociais; o segundo, sátira das superstições populares sobre as bruxarias.
Na segunda e mais célebre coleção de gravuras, Los Desastres de la guerra, ao invés do pitoresco e do grotesco predominantes nos Caprichos, nos Desastres há o predomínio do horror e da crueldade. As imagens de violência da guerra napoleônica na Espanha são implacáveis. Também se nota a mudança de técnica nessas gravuras: desaparece o traço esquemático dos Caprichos, substituído pelo traço minucioso das figuras, sobre um fundo negro e cinzento.
As gravuras que compõem a Tauromaquia revelam um outro Goya, o observador dos espetáculos, aficcionando que era das touradas. O touro e a sua fúria aparecem como centro desse espetáculo. Nas gravuras de Goya os espectadores são uma massa obscura ou são mesmo inexistentes. Mas, em Bordéus, já utilizando a técnica da litografia, Goya compõe uma tauromaquia diferente. Nela, a multidão é uma parte ativa. De qualquer modo, em Goya, o touro é uma figura emblemática, simbolizando uma violência desenfreada que perseguia o seu espírito como um pesadelo.
Os Disparates (ou Proverbios) são de 1819-1824, período final de Goya na Espanha. São, portanto, da mesma época das pinturas negras da Quinta del Sordo e anteriores às litografias de Bordéus. Mas são o cume do clima de pesadelo de sua obra gravada. As imagens não são atrozes como as dos Desastres.
Projeção e influência
Goya conheceu em vida um prestígio artístico que jamais foi contestado pela posteridade. Ao contrário, seu nome não cessou de crescer. Sua influência mais marcante se verifica em algumas obras de Manet (a idéia da "Olympia" deriva da "Maja Desnuda"). Suas gravuras impressionaram Baudelaire e exerceram influência ativa sobre os expressionistas. Sua obra teve, além disso, influência difusa na técnica de composição e no colorido, na pintura, e na técnica de gravura em água-forte e água-tinta. No fim da vida deu dignidade artística à litografia, processo então incipiente. O espírito de Goya permanece vivo (como na "Guernica" de Picasso) e, com as sucessivas interpretações de sua obra, ainda é motivo de múltiplas controvérsias.
Fonte: http://www.sabercultural.com

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cologravura

Gueta - Sem título / Tipo - cologravura - 28x20 ISBN: P.A.

Definição


Segundo o Novo Dicionário AURÉLIO,
a cologravura, ou fototipia, é um “processo de fotogravura em plano, sem retícula, no qual se utiliza como placa impressora uma camada de gelatina bicromatada, que se torna capaz de absorver mais ou menos tinta de impressão, segundo os graus diversos de endurecimento que adquire, correspondentes a maior ou menor quantidade de luz recebida do negativo fotográfico”.

A técnica

A técnica consiste na colagem de material alternativo e reciclado em placa de papelão. Depois de entintado e tirado o excesso de tinta, vai à prensa com papel humidecido. O resultado é surpreendente.


COLOTIPIA é também conhecida como Gelanotipia ou Fototipia. Método de impressão foto-mecânico, semelhante à Litografia. Utiliza uma chapa constituída por uma camada de gelatina não reticulada, em vez de uma retícula de meio-tom para imprimir originais de tom contínuo. A Colotipia é a única forma capaz de reproduzir meios-tons sem o uso de retícula. Produz reproduções extremamente fidedignas, sendo adequada apenas para pequenas tiragens.





quinta-feira, 23 de julho de 2009

Aos amantes de gravuras

Para apreciar gravuras e saber mais:

Visite o site: www.galeriadegravura.com.br

Galeria de Gravura é um site voltado a venda de gravuras via Internet de grandes artistas como Tomie Ohtake, Aldemir Martins, Carybé, Antônio Poteiro,Renina Katz , Bonomi,Tarsíla do Amaral,Burle Marx, Lívio Abramo entre outros.Respire arte!
tel.: 55 11 3473-6950.

Links:

www.galeriadegravura.com.br

www.artistasvisuais.com.br

www.editoradegravura.com.br

www.gravuracontemporanea.com.br

www.tvdigitalarte.com.br

www.arteetecnologia.com.br

O que é gravura?

William Hogarth




Gravura: conceito, história e técnicas


O termo "gravura" é muito conhecido pela maioria das pessoas, no entanto, as várias modalidades que constituem esse gênero, costumam confundir-se entre si, ou com outras formas de reprodução gráfica de imagens. Isto faz da gravura uma velha conhecida, da qual pouco sabemos de fato.

De um modo geral, chama-se "gravura" o múltiplo de uma Obra de Arte, reproduzida a partir de uma matriz. Mas trata-se aqui de um reprodução "numerada e assinada uma a uma", compondo desta forma uma edição restrita, diferente do "poster", que é um produto de processos gráficos automáticos, e reproduzido em larga escala sem a intervenção do artista.

Um carimbo pode ser a matriz de uma gravura, a grosso modo. Mas quando esse "carimbo" é fruto da elaboração e manipulação minuciosa de um artista, temos um "original" - uma matriz - de onde surgirão as imagens que levarão um título, uma assinatura, a data e a numeração que a identificam dentro da produção desse artista: torna-se uma Obra de Arte.

Cada imagem reproduzida desta forma, é única em si, independentemente de suas cópias, consequentemente, cada gravura "é única", é uma Obra original assinada. O fato de haver cópias da mesma imagem, nada tem a ver com a questão de sua originalidade. Ao contrário disso, a arte da gravura está justamente na perícia da reprodução da imagem, na fidelidade entre as cópias, este é um dos fatores que distinguem o artista "gravador".

Quando falamos de gravura, temos em mente um processo inteiramente artesanal. Desde a confecção da matriz, até o resultado final da imagem impressa no papel, a mão do artista está em contato com a Obra.

Depois de impressa, cada gravura recebe a avaliação particular do artista, que corrige os efeitos visuais ou os tons e cores, ou ainda, acrescenta ou elimina elementos que reforcem o caráter que quer dar à imagem.

Quando a imagem chega ao "ponto", define-se a quantidade de cópias para a edição. As gravuras editadas são assinadas, numeradas e datadas pelo próprio artista. Em geral a numeração aparece no canto inferior esquerdo da gravura - 1/ 100, ou 32/ 50 por exemplo - isto indica o número do exemplar (1 ou 32), e quantas cópias foram produzidas daquela imagem (100 ou 50). O número de cópias varia muito, e depende de fatores imprevisíveis, que vão desde a possibilidade técnica que cada modalidade permite, ou também da demanda "comercial", ou do desejo do artista apenas. Grandes edições não chegam a 300 cópias, mas em geral o número é muito menor, ficando por volta de 100. Gravuras em Metal costumam ser as de menor tiragem, devido ao desgaste da matriz, que não costuma agüentar muito mais de 50 cópias.

Outras indicações também são usadas em gravuras: PI (prova do impressor), BPI (boa para impressão, quando chega-se ao resultado desejado para todas as cópias), PE (prova de estado, que indica uma etapa da imagem antes de sua configuração final), PCOR ( prova de cor, correspondendo à investigação de combinações de cores e tons), e também PA (prova do artista, que representa um percentual que o artista separa para seu acervo, em geral 10% da edição)

Além do trabalho do artista, há também a preciosa atuação do "impressor", uma figura que está atrás do pano, por assim dizer, alguém que não cria a imagem, tampouco assina a Obra, mas faz com que ela "apareça" aos olhos do artista, literalmente.

O impressor é quem domina os segredos do "processamento da matriz e da reprodução fiel das cópias". Há artistas impressores também, mas no geral, a gravura é fruto de um trabalho coletivo.

A gravura é um meio de expressão que sempre ocupou lugar de destaque na produção da maioria dos artistas, pois possui características sem equivalência em outras modalidades artísticas. Suas operações sofisticadas e a invenção dos métodos de imprimir, e das próprias prensas, fizeram do ofício do artista gravador um misto de gênio da criação, com engenheiro e alquimista. Não é difícil imaginar as dificuldades de produção de uma gravura em Metal, ou Litografia em épocas que eram iluminadas a fogo, num tempo em que a carroça e o cavalo eram os transportes mais comuns nas grandes cidades, e que nada se sabia sobre plástico ou nem se imaginava a possibilidade de comprar uma lixadeira elétrica na loja de ferragens.

A Arte da gravura exigia conhecimentos que iam muito além do seu próprio universo. E igualmente, sua penetração na sociedade nada tinha de comum com o que hoje observamos, daí seu alto valor como técnica e conhecimento dentro das atividades humanas num mundo pré-industrial.

A gravura serviu de laboratório para grandes idéias e para veicular ideais com maior facilidade, criando interação entre camadas distintas da sociedade.

A interação do artista com o impressor pode comparar-se a do maestro com o músico durante uma sinfonia. Cada um é mestre em seu ofício, e não há mérito maior para um ou para outro, senão o de "juntos" obterem a Obra de Arte.

Existem vários tipos de gravura, ou, técnicas distintas de reproduzir uma Obra. As mais utilizadas pelos artistas são: a gravura em Metal, a Litografia, a Xilografia, o Linóleo e a Serigrafia.

Daremos uma breve descrição destas modalidades de gravura, apenas como uma aproximação inicial, levando em consideração que o estudo aprofundado exigiria muito mais tempo e formas específicas que fogem completamente do propósito deste artigo. De alguma forma, contudo, investigaremos o fascinante universo da gravura e comprovaremos que ela é objeto de grande valor na história humana.


Tarsila do Amaral - Sem título / Tipo - gravura-em-metal - 16x15 - Série - P.C.
você encontra na: www.galeriadegravura.com.br

METAL

A gravura em Metal é uma das mais antigas, temos Obras nesta técnica, produzidas por vários gênios da Renascença, como Albert Dürer por exemplo, datando de 1500 d.C.

A técnica do Metal consiste na "gravação" de uma imagem sobre uma chapa de cobre. Os meios de obter a imagem sobre a chapa são muitos, e não seria exagero dizer que são quase "infinitos", pois cada artista desenvolve seu procedimento pessoal no trato com o cobre. De um modo geral, o artista faz o desenho por meio de uma ponta seca - um instrumento de metal semelhante a uma grande agulha que serve de "caneta ou lápis". A ponta seca risca a chapa, que tem a superfície polida, e esses traços formam sulcos, micro concavidades, de modo a reterem a tinta, que será transferida através de uma grande pressão, imprimindo assim, a imagem no papel.

Esta não é a única forma de trabalhar com o Metal, como dissemos antes, mas é um procedimento muito usual para os gravadores. Além de ferir a chapa de cobre com a ponta seca, obtendo o desenho, a chapa também pode receber banhos de ácido, que provocam corrosão em sua superfície, criando assim outro tipo de concavidades, e consequentemente, efeitos visuais. Desta forma o artista obtém gradações de tom e uma infinidade de texturas visuais. Consegue-se assim uma gama de tons que vai do mais claro, até o mais profundo escuro.

Os dois procedimentos, a ponta seca e os banhos de ácido, são usados em conjunto, e além destes, ainda há outros mais sofisticados, mas que exigem longas explicações, pois envolvem a descrição de operações muito complexas. A ponta seca é o instrumento mais comum, mas existem vários outros para gravar o cobre, cada qual conferindo um possibilidade diferente ao artista.




Burle Marx - Sem Título / Tipo - Litografia - 77x57
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LITOGRAFIA

A Litografia surge por volta de 1797, inventada por Alois Senefelder.

Desta vez, a matriz a partir da qual se reproduzem as cópias é uma pedra, que é igualmente polida, como o cobre, e que também receberá banhos corrosivos que criarão micro sulcos para reter a tinta que será impressa no papel.

O processo de gravação na pedra litográfica se dá primeiramente através da utilização de material oleoso, com o qual se elabora a imagem. Este material pode ter várias formas diferentes.

Existem como "lápis litográficos" ( possuindo gradações distintas quanto ao seu grau de dureza, assim como os lápis de grafite de desenho - série H, os mais duros, e série B, os macios.) Também podem ser em formato de "barrinhas", como o giz de cera comum, com os quais se desenha na pedra. E há tintas à base de óleo que também gravam a pedra, usando-se o pincel, como uma espécie de nanquim. E até o contato da mão do artista pode "marcar" a imagem, fato que exige perícia na hora de desenhar, evitando manchas acidentais. O desenho feito na pedra é sempre em preto, as cores só vão surgir na hora de imprimir a imagem no papel.

Temos, portanto, em síntese, que a pedra litográfica é sensível à gordura, e que a imagem produzida, pode ser obtida através de inúmeras formas conforme os materiais acima citados. Fica claro que isto permite uma vasta diferenciação entre as técnicas de cada artista, conferindo assim, sempre efeitos muito pessoais na criação da imagem.

Além de "gravar" a pedra com "gordura", é preciso que o artista isole as áreas que ficaram "em branco", ou seja, que continuam sem desenho. Isto se faz com uma goma, "lacrando" a pedra para o processo de corrosão. Somente as áreas desenhadas sofrerão o ataque corrosivo, de modo a criar micro concavidades para a receber a tinta, as demais continuarão "em branco" e estarão sempre molhadas durante a impressão. A tinta também é oleosa, por isso só adere aonde está o desenho, nas área "em branco" sofre a ação repelente da água.

A tinta é transferida para a pedra já "processada" usando-se um rolo de borracha, semelhante ao rolo de esticar massas. Apenas uma fina camada de tinta é suficiente para imprimir a imagem no papel.

A operação final é a "passagem" da imagem para o papel usando-se uma grande prensa que esmaga o papel sobre a pedra.



Maria Lucia Pacheco - Mulher com anel / Tipo de gravura - Xilogravura - 33x19
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XILOGRAFIA

A forma mais antiga de impressão é a utilização de um relevo que recebe a tinta, a partir do qual se transfere a imagem para outra superfície. Dentre estes processos está a Xilografia.

A Xilografia consiste numa matriz em alto relevo produzida em madeira. Esta forma de gravação foi amplamente utilizada ao longo de toda história. Grandes nomes da Arte serviram-se de seus recursos, seja em períodos longínquos, ou em nossa época.

A imagem é gravada através de goivas, formões e pontas cortantes. O artista "entalha" seu desenho na madeira, ao modo de um escultor, mas tem em mente que essa matriz não é a Obra, e sim o meio para alcançá-la. Depois disso, a matriz recebe a tinta e vai para a prensa com o papel. Há também a impressão com as costas de uma colher. Esta técnica exige grande habilidade do artista e permite a obtenção de detalhes que a prensa não consegue alcançar.

LINÓLEO

Esta técnica assemelha-se ao entalhe da Xilogravura, no entanto, ao invés de madeira, a matriz é de material sintético - placas de borracha, chamadas "linóleo".

Igualmente a "Xilo", a placa de linóleo receberá a tinta que ficará nas partes em alto relevo, e sobre pressão será transferida para o papel.

Esta técnica é mais recente do que a Xilogravura devido ao material de sua matriz, e foi muito utilizada pelos artistas modernos, como Picasso por exemplo.




Aldemir Martins - Sem título / Tipo de gravura - Serigrafia - 55x39
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SERIGRAFIA

A Serigrafia é a modalidade mais recente das técnicas apresentadas até então. Convivemos diariamente com Serigrafias sem desconfiarmos que também são usadas por artistas. Geralmente conhecemos pelo nome Silk-Screen, isto é, Estamparia.

Este meio de impressão é muito comum na utilização comercial, servindo para uma larga aplicação, seja em tecidos, plásticos, vidro, cerâmica, madeira ou metal.

Quando se trata de uma Obra de Arte no entanto, a Serigrafia se sofistica e recebe tratamento diferenciado em todo seu processo, tanto quanto nas tintas usadas, como também no número de impressões que formam a imagem, ganhando assim qualidade, mais distanciando-se da aplicação comercial em larga escala.

O processo de gravação consiste em transferir a imagem desenhada para uma "tela de nylon". O desenho pode ser feito com tinta opaca (nanquim) em material transparente (acetato ou papel vegetal), obtendo-se o "filme" que servirá para gravar a tela (matriz).

Este processo assemelha-se ao da fotografia. Em resumo, o filme desenhado é posto sobre a tela de nylon, que recebeu uma fina camada de líquido (emulsão) sensível à luz. Dentro de uma caixa escura, a tela de nylon com o desenho são expostos a luz muito forte. Passado alguns minutos a emulsão que recebeu a luz seca e adere ao nylon, e a que ficou protegida pelo desenho é retirada com água.

O resultado é uma espécie de "peneira", digamos assim, sendo que a parte desenhada esta livre para a passagem da tinta e o restante está vedado pela emulsão.

A impressão se faz através de rodos que "empurram" a tinta que é posta dentro da tela de nylon, pelos orifícios deixados em aberto que formam o desenho. A impressão é feita numa mesa na qual se fixa a tela com dobradiças, de modo a permitir que levante-se a tela (como quem abre e fecha uma porta) e coloque-se o papel sempre no mesmo lugar para receber a imagem. O número de impressões é que permite a composição total do desenho, somando as cores e formas a cada nova impressão -assim como quem pinta uma paisagem, e primeiro pinta o tudo o que é azul, depois o que é amarelo, e assim por diante, e dessa forma chega ao resultado final.

NÚMERO DE IMPRESSÃO E MATRIZES

Em geral uma gravura pode ser feita com apenas uma matriz e uma impressão, isto serve para todas as modalidades consideradas aqui. Mas a utilização de várias matrizes e várias impressões também é bastante comum, sobretudo nas Serigrafias. Desta forma, o processo descrito para a gravação da imagem numa matriz, seja no cobre, na pedra, na madeira, na borracha ou no nylon, é multiplicado pelo número de vezes que o artista precisou para obter sua imagem ideal. O mesmo ocorre com a impressão. Assim, temos gravuras que resultam de 4, 5, 8 matrizes, e que exigiram o mesmo número de impressões. Há casos de Serigrafias com até 30 impressões ou mais.

Isto torna o processo da gravura muito dispendioso, e seu produto numa Obra de grande empenho do artista e do impressor, pois estamos falando de operações sofisticadas, inteiramente manuais, que envolvem muita atenção e força, principalmente no trato com as pedras litográficas e polimento de matrizes de cobre.

E diga-se de passagem, que não citamos os cuidados com os papeis, que exigiria outro artigo de igual tamanho, além da limpeza de tudo o que esta arte envolve.

No entanto, é importante termos em mente, que seja qual for a técnica escolhida pelo artista - Metal, Litografia, Xilogravura, Linóleo ou Serigrafia - o que vale acima de tudo, é a capacidade de expressão que cada meio permite, e como isto irá de encontro às necessidades do artista.

Desse panorama da gravura, chega-se rápido a compreensão de como é uma atividade especializada, e como não pode ser comparada aos produtos fabricados pelos meios industriais. Antes de qualquer conclusão, um fato destaca-se a priori: a Obra de Arte é sempre fruto de muito empenho, dedicação, estudo e Amor à Beleza.

Assim, cada modalidade de gravura terá seu "idioma" peculiar, ainda que cada artista pronuncie seus próprios "poemas" com ele. Isto significa que as comparações não são cabíveis, pois não se trata de avaliar perícia e virtuosismo de um em detrimento de outro. Na verdade, quando falamos sobre Arte, não alcançamos jamais sua essência mirando nos aspectos técnicos. É possível, sim, que o virtuosismo de um artista nos impressione, mas isso não nos revela mais do que a superfície de seu espírito. Se desejamos mais do que isso, precisamos de silêncio e muito desprendimento de tudo aquilo que é material, e só assim a Obra se revelará plenamente em nós e cumprirá seu destino: emocionar.

Autor: Mauro Andriole